Estou há dias para escrever aqui. Já tive um milhão e meio de ideias e sugestões de títulos para esse post. Eu o mudei três vezes até fechar nesse, que você lê aí. Minha sensação era a de ter tanto para falar... Mas em momentos assim, o melhor é realmente calar. Minha amiga Analigia Martins, deusa adorada, sempre me diz que o melhor é nada fazer quando se está perdido.
Pois é. Estava me sentido muito perdida, nos últimos dias. Perdida, porque sei lá como me foquei tanto no externo, que não me achei mais. Acabei me envolvendo com as situações do dia a dia, com as pessoas, com tudo o mais e fui me abandonando, me anulando, me distanciando de mim por meio zilhão de motivos.
Daí, acordei ontem no chão. Arrasada. Não entendia bem o que estava acontecendo. Só sentia o quão longe estava de mim, de quem eu sou, da minha essência, da minha integridade. E morri de chorar. Exatamente como nessa música aqui do Eric Clapton, River of Tears... Deus! O som da guitarra do Clapton ecoa como lágrimas que correm pelo rosto...
Chorei tanto, que me sentia desidratada ao final do dia. Chorei tanto, que precisei de óculos escuros para ir buscar meu filho na escola, às sete da noite (!!!).
Mas tudo nessa vida passa e acordei hoje disposta a me refazer. Eu bem precisava do caos para me reencontrar. Essa minha auto-análise me ajudou a perceber que o que eu vinha sentindo nos últimos dias era nada menos que a "dor do crescimento". Já ouviu falar sobre esse termo? Cientificamente falando, é quando crianças entre 3 e 4 anos até acordam durante a noite por sentirem dor nos músculos e ossos dos membros inferiores, que estão tensionados pelo crescimento do corpo. É como se o organismo relutasse em aceitar que o corpo vai mudar, que vai abandonar um antigo padrão, um jeito que até então dava certo, para migrar a uma nova natureza, um novo formato, um novo estilo de vida.
Junto a essa teoria, me encontrei em uma outra: a da águia. Dessa, você já deve ter ouvido falar... Aos 40 anos (segundo nosso mestre Google!), a águia tem duas opções para chegar até os 70 - média de idade que vive: morrer no meio do caminho ou rumar para uma dolorida e complexa transformação, que dura pelo menos 150 dias.
Ela voa até o alto de uma montanha e se recolhe durante esse período, obrigando-se a suportar a dor de arrancar com o bico unha a unha de suas patas. Após quatro décadas, as unhas estão compridas e flexíveis demais, a ponto de ela não conseguir mais agarrar e manter firme as presas que captura. Não bastassem as unhas, também com o bico, precisa arrancar pena a pena de seu corpo, já grossa pelo passar do tempo, justamente o que dificulta e pesa seu vôo languido e até então fácil.
Mas não pára por aí... Esse mesmo bico que arranca unhas e penas já está curvado e rígido, que não a possibilita se alimentar da forma necessária. É então que chega o momento mais sofrido e ela precisa batê-lo na rocha, até que ele seja arrancado de seu rosto. É depois de todo esse processo que, após cinco meses, ela parte rumo ao vôo da renovação e, se tudo der certo, para mais 30 anos de vida. Há quem diga que o processo seja inverso e ela comece pelo bico, mas para mim não é isso que verdadeiramente importa.
Tenho comigo que, mesmo vivendo outros 30 anos, a águia (em toda a sua teoricamente falta de consciência mental) nunca mais conseguirá ser a mesma e ela sabe disso. O caos, o horror da dor maior, o sofrimento profundo (seja ele causado por que motivo for e pela culpa de quem for) nos obrigam a nascer de novo. E é isso que me faz pensar - com a ajuda fundamental de amigas como Bruna Bezerra Lima e Vanusa Costa, além da Alexandra Estela e da Analigia - que todos os "nãos" que eu já recebi da vida precisam ser celebrados.
Os "nãos" vividos, somados à dor do crescimento que vivi e ainda vivo, me obrigaram a seguir em frente na vida. E nem todo dia é fácil, como sei que também não é para você ou para qualquer um dos nossos. Mas o que sinto de diferença em mim é que eu vivo inteira. Eu entro limpa, inteira e intensa em toda e qualquer situação, seja com quem for. O medo já não ganha mais batalha alguma da minha existência. E tenho muito orgulho disso! Medo, pra mim, é falta de fé - em mim, em Deus, na vida.
A dor do sofrimento agudo que vivi sete anos atrás e, então, três anos atrás me mostrou que eu sou capaz de suportar qualquer coisa e que nem toda situação é grande demais para ser transposta. A dor me trouxe coragem, me mostrou meu próprio valor. Me fez perceber que desistir é fácil e para muitos, mas que persistir é complexo, para mínimos e que vale muito a pena.
Eu não sei o que você tem vivido, quantas lágrimas tem derramado, quantos cabelos brancos ou rugas já ganhou pela preocupação desmedida de não ter seu sonho realizado, sua meta cumprida, seu amor ao lado. O que eu sei e posso compartilhar com você aqui é que a dor do crescimento passa e tudo se encaixa no lugar certo. A princípio, pode te parecer o próprio cenário do horror, mas tire os óculos, dê uma limpada nas lentes, ajuste as astes atrás das orelhas, tome um pouquinho de distância... Foque de novo. Você vai ver que os planos que Deus (ou Universo ou dê o nome que você quiser) tem para você são muito melhores que os seus.
Um beijo meu!
Esse é um espaço dedicado a resgatar os antigos propósitos da Ana, a apresentar e analisar os propósitos do presente, a sonhar e objetivar os propósitos do futuro. Seja muito bem vindo!
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terça-feira, 29 de março de 2011
sábado, 25 de dezembro de 2010
Gratidão, só pra começar
Meus caros amigos,
que delícia que é - ao som do maravilhoso Adoniran Barbosa - poder vir aqui e contar um pouquinho do que se passa em meu coração...
Pra começar, quero agradecer. Agradecer muito, hoje e sempre a Deus, pela vida sem-igual que Ele me deu e tem me proporcionado. Nossa! Meu sentimento de gratidão é tão grande, que não há palavras que cheguem perto de exemplicar o que vai aqui dentro.
Sou muito agradecida a Deus, ao Universo, aos meus pais, a minha irmã, ao meu filho, aos meus amigos, a todos que já passaram e estão em minha vida. Foi a contribuição de cada um que ajudou a eu ter esse formato, essa personalidade, esse caráter. E, puxa, como sou grata!
Nos últimos meses, tenho vivido, experenciado sensações e situações tão mágicas... Há três semanas, por exemplo, aconteceu a cerimônia de formatura do Luccinha. Em 2011, ele começará o primeiro ano do Ensino Fundamental. Vejam só que importante ele já está! :) rsrsrs
Daí, que aquele evento foi incrível por uma série de coisas, como pela simplicidade, pela docilidade das professoras e de todo o pessoal da escola, pela união incomum de todas as 12 crianças e os papais e mamães (finalmente, agora eu sei o nome de absolutamente todo mundo e quem é pai de quem!!), mas principalmente pela retrospectiva que montaram deles, desde 2006, quando a turminha começou.
Gente, só em inglês para definir como eu me senti: "I just cried my eyes out!!!". Foi muito emocionante ver meu pequeno já não tão pequeno assim se formar junto aos amiguinhos que tanto ama. E, enquanto as fotos iam passando, eu via a transformação do Luccinha. O via rindo, pintando, correndo com as outras crianças, o uniforme sobrando nas mangas da camisa e barras da calça, o cabelo hora comprido demais, hora no toco, as visitas em um monte de lugar bacana de São Paulo, os aprendizados em sala de aula, as farras com a massinha de modelar e com a pizza no refeitório, até chegar o momento do uniforme faltando em braços e pernas...
Quem tem filho sabe como é. E quem não tem deve ter ideia quando pensa no animalzinho que possui em casa. Filho mexe com a gente, tira o eixo (ou põe!), traz humildade, dá uma força que você nem sabia que tinha. Olhei para o Lucca ali, animado com os amiguinhos e assistindo a reprise da própria vida tão curta ainda, e pensei que todas as dificuldades valeram tanto a pena. Aquela gravidez de surpresa, aquelas loucuras todas de Estados Unidos, o rabo entre as pernas na volta para o Brasil, as intermináveis noites sem dormir, as visitas constantes ao PS dos hospitais com ele em febre ou em crise de sinusite, as reuniões de pais e mestres sempre atabolhoadas (eu, atrasada, claro, não as reuniões que eram atabalhoadas!), os banhos de arroz e espuma...
Ver o crescimento e o desenvolvimento de um filho é totalmente único, exclusivo, cadeira cativa mesmo... É mágico, é poderoso, faz com que a gente tenha a consciência - e também a certeza! - de que é apenas um grãozinho de areia nesse universo e de que, de verdade, só se muda o próprio mundo...
Além da formatura do Lucca, naquela sexta à noite, ainda vivi dias de pura glória nas semanas seguintes. Foi o aniversário dele de seis anos, depois um amigo (com inimigo) secreto incrível da minha equipe maravilhosa (só faltou você, Bruna Bezerra Lima!), encontros com amigas maravilhosas e seus pequenos tão maravilhosos quanto, como a Karina Sassoon com o David e a Naomi, a Ju Pfefer com o Joãozinho lindo, a Elisa Pereira Meyer e o Fê com a Rafinha, minha madrinha Lis com as meninas Isa e Luísa e mais um monte de amigos queridos, que amo demais.
Agora, tô me preparando para entrar em férias e partir para mais um descobrimento na vida do Lucca: viajar de avião para o Rio de Janeiro, no próximo dia 30! Vai ser demais!!!! Fora que a gente ainda tem a benção de Deus e sorte pra caramba de contar com amigos sem-iguais por lá, que já prepararam tudo pra receber a gente, né Leonardo Bandeira, Janaína Garcia e Marcelo Vieira??? rsrsrs
É por isso e mais um pouco, que eu só tenho tenho que agradecer. É por isso que a gratidão leva meu nome e está em meu coração. É com ela que eu entrarei 2011, só pra começar.
Um beijo meu e bom finzinho de Natal! - "A very red and happy one!"
que delícia que é - ao som do maravilhoso Adoniran Barbosa - poder vir aqui e contar um pouquinho do que se passa em meu coração...
| A very red 'n happy Xmas to you! :) |
Pra começar, quero agradecer. Agradecer muito, hoje e sempre a Deus, pela vida sem-igual que Ele me deu e tem me proporcionado. Nossa! Meu sentimento de gratidão é tão grande, que não há palavras que cheguem perto de exemplicar o que vai aqui dentro.
Sou muito agradecida a Deus, ao Universo, aos meus pais, a minha irmã, ao meu filho, aos meus amigos, a todos que já passaram e estão em minha vida. Foi a contribuição de cada um que ajudou a eu ter esse formato, essa personalidade, esse caráter. E, puxa, como sou grata!
Nos últimos meses, tenho vivido, experenciado sensações e situações tão mágicas... Há três semanas, por exemplo, aconteceu a cerimônia de formatura do Luccinha. Em 2011, ele começará o primeiro ano do Ensino Fundamental. Vejam só que importante ele já está! :) rsrsrs
Daí, que aquele evento foi incrível por uma série de coisas, como pela simplicidade, pela docilidade das professoras e de todo o pessoal da escola, pela união incomum de todas as 12 crianças e os papais e mamães (finalmente, agora eu sei o nome de absolutamente todo mundo e quem é pai de quem!!), mas principalmente pela retrospectiva que montaram deles, desde 2006, quando a turminha começou.
Gente, só em inglês para definir como eu me senti: "I just cried my eyes out!!!". Foi muito emocionante ver meu pequeno já não tão pequeno assim se formar junto aos amiguinhos que tanto ama. E, enquanto as fotos iam passando, eu via a transformação do Luccinha. O via rindo, pintando, correndo com as outras crianças, o uniforme sobrando nas mangas da camisa e barras da calça, o cabelo hora comprido demais, hora no toco, as visitas em um monte de lugar bacana de São Paulo, os aprendizados em sala de aula, as farras com a massinha de modelar e com a pizza no refeitório, até chegar o momento do uniforme faltando em braços e pernas...
Quem tem filho sabe como é. E quem não tem deve ter ideia quando pensa no animalzinho que possui em casa. Filho mexe com a gente, tira o eixo (ou põe!), traz humildade, dá uma força que você nem sabia que tinha. Olhei para o Lucca ali, animado com os amiguinhos e assistindo a reprise da própria vida tão curta ainda, e pensei que todas as dificuldades valeram tanto a pena. Aquela gravidez de surpresa, aquelas loucuras todas de Estados Unidos, o rabo entre as pernas na volta para o Brasil, as intermináveis noites sem dormir, as visitas constantes ao PS dos hospitais com ele em febre ou em crise de sinusite, as reuniões de pais e mestres sempre atabolhoadas (eu, atrasada, claro, não as reuniões que eram atabalhoadas!), os banhos de arroz e espuma...
Ver o crescimento e o desenvolvimento de um filho é totalmente único, exclusivo, cadeira cativa mesmo... É mágico, é poderoso, faz com que a gente tenha a consciência - e também a certeza! - de que é apenas um grãozinho de areia nesse universo e de que, de verdade, só se muda o próprio mundo...
Além da formatura do Lucca, naquela sexta à noite, ainda vivi dias de pura glória nas semanas seguintes. Foi o aniversário dele de seis anos, depois um amigo (com inimigo) secreto incrível da minha equipe maravilhosa (só faltou você, Bruna Bezerra Lima!), encontros com amigas maravilhosas e seus pequenos tão maravilhosos quanto, como a Karina Sassoon com o David e a Naomi, a Ju Pfefer com o Joãozinho lindo, a Elisa Pereira Meyer e o Fê com a Rafinha, minha madrinha Lis com as meninas Isa e Luísa e mais um monte de amigos queridos, que amo demais.
Agora, tô me preparando para entrar em férias e partir para mais um descobrimento na vida do Lucca: viajar de avião para o Rio de Janeiro, no próximo dia 30! Vai ser demais!!!! Fora que a gente ainda tem a benção de Deus e sorte pra caramba de contar com amigos sem-iguais por lá, que já prepararam tudo pra receber a gente, né Leonardo Bandeira, Janaína Garcia e Marcelo Vieira??? rsrsrs
É por isso e mais um pouco, que eu só tenho tenho que agradecer. É por isso que a gratidão leva meu nome e está em meu coração. É com ela que eu entrarei 2011, só pra começar.
Um beijo meu e bom finzinho de Natal! - "A very red and happy one!"
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